Frases da Semana V — Um Cafezinho com o Lixo Careca
As frases que abalaram o Brasil (e o mundo) nesta semana...
Não deixem de ler as Frases da Semana, na íntegra, no site da Gazeta do Povo. E, logo abaixo, a versão em vídeo, esta semana apresentado especialmente por Guilherme Oliveira:
Nesta movimentada semana republicana, a Verdade foi finalmente pega desprevenida; aparecendo, nua e crua, em images chocantes (e em poses comprometedoras), no que aparenta ser uma daquelas surubas das festinhas de Daniel Vorcaro. Visivelmente constrangida e com a reputação seriamente abalada nestas plagas, a dita senhora não teve outra alternativa senão arrumar as malas e pedir asilo moral na Flórida.
O exílio da Verdade (e sua posterior inclusão na lista de procurados da Interpol) marca a consagração de um projeto de nação vitorioso, em que as fraudes eleitorais são as mais seguras do mundo, os empreendedores dedicam-se exclusivamente a empreender tudo o que não presta e as maiores decisões de Estado viram café pequeno. Tudo segue, portanto, dentro da mais rigorosa normalidade na maior potência psiquiátrica do hemisfério sul.
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Em um dos momentos mais indecorosos desde a abolição da ética na vida pública, o Excelentíssimo Ex-Presidiário Luiz Inácio Lula da Silva prostrou-se em três quartos de cócoras e, apalpando os joelhos com vigor ritual, pôs em evidência sua vasta região glútea (há muito imune aos corretivos de Dona Lindu). Em seguida, passou a balançar com furiosamente seu reluzente petrolão, para gáudio inaudito das tchutchucas do Centrão e demais lacraias do PSOL.
Providenciando a devida sonorização do evento (e provando que nada está tão ruim que o PT não consiga piorar), Sua Excelência resgatou um clássico do funk favelado, enriquecido em forma de jingle publicitário — artefato muito mais potente do que os proibidões de uso exclusivo das facções armadas.
“Era só mais um Silva / Com a estrela que brilha” — Lula, estrela decadente.
Lula, como se vê, não é apenas mais um Silva. Trata-se de um astro bissexto que, quanto mais brilha, mais deixa a nação mergulhada no escuro. Porém, há a promessa da luz no fim do túnel (túnel este, diga-se de passagem, construído pela Odebrecht mediante 15% de propina).
Dos cabulosos morros cariocas às alterosas montanhas mineiras, chega-nos a contribuição do Governador Romeu Zema, gestor conhecido pela austeridade nos gestos. Ponderando sobre a inviolabilidade das urnas eletrônicas (engenhoca a que se refere carinhosamente pela alcunha de “trenzinho”), Sua Excelência resolveu tranquilizar a população, garantindo que, caso venha a ocorrer alguma fraude eleitoral, tratar-se-á de uma fraude limpa, ecológica, segura e sustentável:
“Pode ter fraude? Pode. Mas nada que possa impactar o resultado de uma eleição” — Romeu Zema, vota quieto.
Como bem perceberam os boticários da capital, estamos diante da magnífica invenção da fraude homeopática. Rouba-se apenas um cadinho de votos, em doses infinitesimais, para preservar as nobres tradições da patotice republicana sem contudo estragar a festa da democracia. O problema reside tão-somente nos efeitos colaterais do processo, que incluem amnésia temporária, dificuldades na fala (e na conxeção com a internet), além de, nos quadros mais severos, a prisão de ventre (e de todo o resto do corpo).
Após concluir seu estágio como maior-aprendiz na Fazenda (onde, convém lembrar, volta e meia dirigia-se ao pasto na hora do almoço), o decano do estafermato petista, Fernando Andrade, sentiu-se pessoalmente ofendido com a concessão de comendas estaduais ao Presidente da Argentina, Javier Milei. Tomado de justa indignação cívica e de uma aguda consciência de classe (asinina, no caso), o ilustre espécime (protegido tanto pelo Ibama quanto pelo STF) levantou uma grave questão de ordem:
“️Vai dar medalha pro Milei, que tá dando carne de burro para a população da Argentina comer?” — Fernando Haddad, espécie em extinção.
Não podemos deixar de louvar a nobre atitude do Dr. Taxxad ao sair em defesa da sua espécie. Trata-se de incontestável lugar de fala. A apreensão do nobre professor, aliás, é perfeitamente compreensível: se essa moda de consumir carne burro se difundir deste lado da fronteira, boa parte do seu eleitorado corre o risco de sair da fila do osso para entrar no cardápio da classe média emergente (segundo o IBGE).
A mocidade tardia e despretensiosa que se dedica ao comércio, processamento e distribuição de memes produziu mais um momento memorável para a nossa infeliz coleção. O futuro ex-candidato nanico à Presidência, Renan Santos, pretendente a cargos de grande vulto apesar da visível escassez cognitiva, veio a público explicar as razões que o levaram a interromper os seus estudos universitários, citando outros titãs dos negócios acometidos pela mesma aflição:
“Foi o caso do Bukele, foi o meu caso, não vou nem comparar, mas foi o caso do Steve Jobs e do Mark Zuckerberg” — Renan Santos, gênio assintomático.
Steve Jobs, visionário que era, abandonou a faculdade nos anos 70 movido pelo sonho de vir a ser, um dia, um novo Renan Santos. Infelizmente morreu antes de realizar tão nobre aspiração. Resta ainda tempo para Zuckerberg (que largou Harvard para criar o Facebook) tentar alcançar Renan, que abandonou os livros para fazer vídeos dançando axé com financiamento do Fundão Eleitoral. Cada um contribui para a civilização como pode.
O distinto leitor, porém, não precisa temer que nosso tiozinho-prodígio abandone a política para fundar a próxima SpaceX de sua garagem: submetido aos exames de praxe, o jovem testou negativo para QI, não apresentando até ao momento nenhum dos sintomas associados à genialidade.
Ainda na galeria dos grandes gênios da raça, o Painho Cobra Coral Lula da Silva reapareceu empenhado em evitar que qualquer tipo de fiscalização estrague o banquete da nossa República. Com a autoridade que lhe conferem os amigos e apaziguados de ocasião, declarou o Presidente sobre eventuais influências estrangeiras no nosso pleito:
“Quem quiser de fora vir se meter nas eleições brasileiras vai apanhar muito” — Lula, batedor oficial.
A História confirma que a interferência de entes estrangeiros em nossas eleições costuma terminar mal. A própria Democracia, que desembarcou vinda da Grécia, apanha violentamente de nossas urnas a cada quatro anos. Consta que a coitada até deu entrada num pedido de medida protetiva perante o STF, mas o recurso foi indeferido em decisão monocrática do relator, sem direito a recurso. Pesou contra a requerente o fato agravante de ela manter relações suspeitas com perigosos agentes estrangeiros como a liberdade de expressão, a separação entre os poderes e o devido processo legal (o que, segundo as nossas mais excelsas luzes jurídicas, representa claríssimo risco de formação de quadrilha antidemocrática).
Contrariando as indicações oficiais, recebemos uma atração internacional: Javier Milei, presidente da Argentina do Bem (aquela de que o Brasileiro do Bem está autorizado a gostar). O folclórico mandatário referiu-se a uma elevadíssima figura da nossa Magistratura com um insulto dos mais cabeludos.
“O lixo careca não me permitiu visitar meu amigo” — Javier Milei, cabeludo.
As más línguas apressaram-se a especular que o alvo do disparo seria Alexandre Barci de Moraes, festejado cônjuge da maior advogada do continente, em virtude de pendengas judiciais que afetam ilustres amigos do visitante. Recuso-se categoricamente a dar crédito a tamanha maledicência. Afinal, é de domínio público que o Sr. Barci de Moraes não possui um único fio de cabelo que não seja justo, probo e, acima de tudo, imparcial.
A semana, contudo, ainda reservava a sua verdadeira obra-prima. Fecham-se os trabalhos com o singelo convite formulado pelo Presidente da República ao mesmíssimo Sr. Barci de Moraes para um convescote de happy hour (ou sad hour, para o brasileiro que ainda nutrir qualquer ilusão de decência):
“Vamos tomar um café?” — Lula, alma mais honesta do país.
Trata-se de um duro choque para a nossa democracia e de uma evidente degradação dos padrões etílicos da República. Em época não muito distante, Barci de Moraes, altíssima autoridade da nossa Suprema Corte, apenas aceitava convites para degustar uísquinho 18 anos nos salões mais exclusivos de Londres; hoje, vê-se reduzido a tomar um pingado no Bar do Zé, rodeado de pinguços. Afinal, depois que travaram o contratinho milionário da patroa, o jeito é se virar como pode para faturar a boquinha que puder.
Fica, entretanto, nossa humilde sugestão: se Lula e Moraes estão procurando alguma coisa para tomar juntos, que tomem mesmo é vergonha na cara.



