Frases da Semana IV — A Odisseia
As frases que abalaram o Brasil (e o mundo) nesta semana...
Não deixem de ler as Frases da Semana, na íntegra, no site da Gazeta do Povo. E, logo abaixo, a versão em vídeo apresentada pelo dileto, distinto e donairoso Paulo Polzonoff Jr.:
É fato conhecido que a nossa Odisseia nada fica devendo ao superproduzido épico hollywoodiano (uma pechincha orçada na casa do bilhão). A diferença é que a nossa custa aos cofres públicos a bagatela de um trilhão por ano e, toda semana, ainda nos presenteia com o tradicional Jumento de Troia, devidamente recheado de vítimas da sociedade.
Sempre atentos às quimeras homéricas das mais variadas escamas, seguimos navegando entre seres fantásticos, como o marxista-capitalista; bestas infernais que nos aconselham a manter distância; e os deuses intocáveis do Olimpo, eternos protetores da nossa já mitológica democracia.
Abertos os trabalhos (mais hercúleos que os do próprio Hércules), topamos com o ilustre Ciro Gomes, o semideus da picuinha na mitologia cearense. O venerando coroné, que ensaia mais um retorno à disputa pelo governo do Ceará, parece ter finalmente encontrado o herdeiro ideal para os seus cobiçados 3% do eleitorado: o jovem (i.e., adolescente de meia-idade) Renan Santos, contra quem disparou uma bênção à queima-roupa:
“Tô acompanhando essa novidade que é o Renan Santos, uma pessoa que tá falando coisas muito verdadeiras” — Ciro Gomes, MBLover.
Advertimos Renan, entretanto, de que, na escatologia da política sertaneja, um elogio de Ciro costuma ser apenas a primeira citação de uma longa e ruminante briga na Justiça. Além disso, a todo político acusado por Ciro Gomes de dizer a verdade recomenda-se, por prudência: apagar imediatamente os perfis nas redes sociais, providenciar um bom advogado (notório saber jurídico é dispensável, mas bom trânsito é fundamental) e arrolar ao menos duas testemunhas oculares.
Na sequência da nossa titanomaquia pindorâmica, quem bate o cartão (muito a contragosto, como de costume) é o decano da mitomania nacional, o próprio Luiz Inácio Lula da Silva. Desta vez, o ex-presidiário excelso apareceu para acusar Flávio Bolsonaro de conspirar com as autoridades ianques para impor tarifas ao Brasil, violando, assim, o monopólio oficial. Embalado pelo espírito da cana, Lula filosofou sobre a decadência do Direito Penal nestas terras:
“Nesse país, antigamente, traidor era enforcado” — Lula, o carrasco de Garanhuns.
Compartilho os olhos marejados (de nostalgia e demais vapores etílicos) pelos velhos tempos! Antigamente, se o leitor bem se lembra, traidor era enforcado, corrupto era enjaulado, o Supremo era imparcial e pilantra condenado cumpria pena em regime fechado. Hoje, quando tudo é mais progressista e democrático, o único sujeito que corre o risco de ir para a forca é justamente quem comete o desatino de reclamar de como tudo mudou.
Mostrando que ele próprio jamais mudou, o antigo estagiário da Fazenda (e candidato derrotado em exercício ao governo de São Paulo) Fernando Taxxad revelou à imprensa que, à semelhança de certas advogadas de elite do Lago Sul, também andou recebendo propostas indecentes do banqueiro Daniel Vorcaro. Mas tranquilizou a praça, garantindo que, com ele (que é moço recatado e do lar), o peleleco não passou das preliminares:
“Estamos aprendendo a lidar com esse tipo de vigarista” — Fernando Haddad, eterno aprendiz.
São quatro décadas de militância petista no lombo, e Andrade ainda se encontra na fase do “estamos aprendendo” a lidar com vigarista. Depois é tachado de devagar e fica todo emburrado. Mas esse é o drama de todo petista: só consegue reconhecer um vigarista no exato momento em que ele assina a delação premiada. Aí, ora bolas, já é tarde demais.
Pelo flanco esquerdo desembarcou o ex-guerrilheiro e atual narcopresidente colombiano Gustavo Petro. O Che Guevara em pó, primo-irmão do Molusco-em-Chefe, resolveu questionar o resultado das eleições de seu país e decretar como vencedor o seu afilhado Iván Cepeda:
“O povo da Colômbia elegeu como presidente Iván Cepeda” — Gustavo Petro, democrata relativo.
Fontes no Itamaraty apressaram-se em esclarecer que não há qualquer hipótese de golpe na nação irmã. Afinal, ao contrário de Jair Bolsonaro, Petro não questiona o funcionamento das urnas — apenas a absurda escolha dos eleitores.
Lembrando que, na Colômbia, o voto é 100% auditável: o povo vota, o presidente audita e, se necessário, ele próprio corrige o voto segundo o gabarito. A chancelaria oficial garante que a democracia colombiana vai de vento em popa, embora permaneça incomunicável e com paradeiro desconhecido.
Quem também preferiu evitar problemas com a auditoria foi o banqueiro e milionário socialista Eduardo Moreira. Dono de um veículo de notícias identificado por chapas-brancas e saias rebaixadas, Eduardo viu-se na contingência de raspar o caixa de suas empresas para escapar da tributação de dividendos promovida pelo governo que ele tanto apoia:
“A gente precisou fazer isso para não pagar indevidamente mais de R$ 5 milhões em impostos” — Eduardo Moreira, capitalista marxista.
Meu contador, Sr. Windersson Excel, explica que imposto indevido é aquele que sai do nosso bolso; quando incide sobre a carteira alheia, chama-se justiça social. E, como já profetizou Karl Marx na edição panamenha de Das Kapital:
“O caminho para o comunismo passa por uma holding offshore em algum paraíso fiscal.”
Pela impressionante coerência, o companheiro Moreira merece um caloroso “vai pra Cuba!” — ou melhor, vá para as Ilhas Cayman, onde a revolução é de mentirinha e o lucro é isento de Imposto de Renda, exatamente como o camarada gosta.
Dizem os oráculos que conhecer a si mesmo é privilégio reservado aos deuses, aos profetas e aos doidos de pedra. Quem se enquadra com precisão cirúrgica (e diagnóstico psiquiátrico) no terceiro caso é o estoriador e youtuber Eduardo Bueno. Nesta semana, Peninha inflou o rabo de pavão e executou uma intricada dança de acasalamento, ameaçando a direita nacional:
“Não cheguem perto de mim, porque eu sei o que sou, o que fiz, o que faço e o que farei” — Eduardo Bueno, dá peninha.
O aspecto verdadeiramente preocupante da declaração não é a ameaça, mas o fato de o sujeito admitir, em público e sem nenhum constrangimento, que sabe quem é. De qualquer forma, o Ministério da Saúde informa: ao contrário do Covid, não existe nível seguro de distanciamento social para o caso do Peninha. Mantenham distância e evitem contato visual, auditivo e, principalmente, intelectual.
E quem surge novamente é o indefectível (porém ainda corruptível) Lula da Silva! Assustado com os alarmantes índices de roubo de celulares em seu governo, Lula resolveu emitir um alerta à população com a autoridade de quem tem experiência no assunto:
“Se alguém vir você desprevenido, numa rua, numa praça… olhando pro céu, no celular… você está correndo risco” — Lula, quem avisa amigo é.
Pronto! No Brasil, até o ato involuntário de ter cara de bobo virou crime de incitação ao assalto. Será que, desta vez, finalmente autuam o Janones em flagrante?
Mas, que ninguém negue que viver com segurança no país é muito simples: basta evitar ruas, praças, parques, transportes público e privado, além de todo o restante do território nacional. Mas, se a saidinha for inevitável, a recomendação oficial é deixar em casa o celular, a carteira e, se possível, todos os seus órgãos vitais.


