Frases da Semana - II
As frases que abalaram o Brasil (e o mundo) nesta semana...
Não deixem de ler as Frases da Semana, na íntegra, no site da Gazeta do Povo. E, logo abaixo, a versão em vídeo apresentada pelo dileto, distinto e donairoso Paulo Polzonoff Jr.:
Em face da recente e melancólica (porém não constrangedora — dada a profilática falta de vergonha) eliminação da Seleção frente ao terror escandivano, nossa produção cogitou seriamente preparar um Frases da Semana homenageando os maiores disparates proferidos na terra dos vikings.
Todavia, tal tarefa revelou-se um obstáculo sociológico intransponível: um país que usufrui de saneamento básico universal, índices estratosféricos de alfabetização e um Poder Judiciário minimamente funcional carece da infraestrutura necessária para produzir Frases da Semana tipo exportação, consistentemente, todos as semanas.
Diante de tamanha escassez estrangeira, restou à pátria a duvidosa honraria de única democracia do planeta que se mantém autossuficiente na lavoura das sandices e líder incontestável na exportação de vergonha alheia.
Inicia-se a chamada com a presença de Juca Kfouri, decano da imprensa desesportiva independente (entenda-se, rigorosamente independente de qualquer credibilidade). Mal o escrete canarinho foi engaiolado, Jeca apressou-se a descarregar suas frustrações sobre o alvo habitual, Neymar Prevent Sr., asseverando que este representa a escória da sociedade.
“Ele representa o que há de pior na sociedade brasileira” — Juca Kfouri, funcionário do mês da TV Lula.
Uma análise crítica revela toda a ousadia desta tese jornalística. Sob a ótica do ilustre blogueiro, o que há de pior na sociedade não são as facções criminosas que aterrorizam as periferias, nem as quadrilhas que saqueiam os cofres das estatais e espoliam os bolsos dos aposentados. O inimigo público número um é, na verdade, o cidadão que ousar tecer críticas ao chefinho do (cabeça de) Jaca. A este nível de periculosidade, conforme se depreende de uma leitura atenta, nem mesmo o mais audaz delinquente profissional consegue aspirar.
Continuando, registra-se a persistente campanha destinada a reduzir a pó a brilhante carreira do nosso número 10. Desta feita, quem resolveu meter o nariz onde não foi chamado, e o fez com autoridade de um verdadeiro especialista, foi Walter Casagrande Júnior.
“É um cara que cometeu crime ambiental e corre atrás de tudo para livrar a cara. Quer fazer do Nordeste uma Las Vegas” — Casagrande, aspirante a craque.
É com profunda tristeza que testemunhamos alguém que outrora seguia uma linha de pureza tão cristalina em suas análises, querer queimar um crack com tamanha voracidade. Mais alarmante ainda é tentar vislumbrar a tragédia que resultaria caso o progressista plano de Neymar obtivesse sucesso: a conversão do litoral nordestino em uma “Las Vegas”, dotada de hotéis de luxo, casinos, turismo de massa, empregos formais e geração de riqueza local. Sob tal cenário de horror económico, correrísamos o sério (no sentido de “tresloucado”) risco de não restar um único cidadão vulnerável para engrossar as filas do Bolsa-Família, apostar os seus parcos recursos no Tigrinho e votar naqueles que passaram a vida inteira a correr atrás de livrar suas caras nos tribunais.
Já a Milly Lacombe, militante feminista que se identifica como comentarista de futebol, logrou a proeza de fundamentar a superioridade de Diego Maradona sobre Lionel Messi com base numa refinada tese de geopolítica de botequim.
“O Maradona lutou por uma Argentina soberana diante do mundo inteiro” — Milly Lacombe, pessoa em situação de comentário.
O conceito de soberania evocado por esta vertente da intelequitualidade nacional apresenta contornos deveras singulares. Longe de significar a defesa dos interesses econômicos e territoriais pátrios, a Soberaninha (irmãzinha mais nova, e serelepe, da famigerada Democracinha), para a nossa imprensa militante, consiste no apoio a ditadores amigos, no financiamento do narcotráfico trans (de transnacional) e em ganhar roubando com gol de mão. Ao preencher esses quesitos, Maradona legou de fato um exemplo indelével à posteridade, tendo falhado apenas na tentativa de exercer soberania sobre o seu próprio nariz.
Ainda chafurdando entre os disparates, depara-se com um espécime raríssimo da fauna cultural: o roqueiro chapa-branca de três-quartos-de-idade, representado por Tony Bellotto, antigo guitarrista dos Titãs. O músico nos brindou com um cover de um clássico do compositor tecnobrega (e instrutor de lulaeróbica) Sidônio Palmeira, aquele em que a direita democrática desapareceu e que a única salvaguarda da liberdade reside na figura de Painho.
“A chamada direita democrática desapareceu. Toda a direita está submissa ao bolsonarismo. E existe a esquerda democrática do PT e do Lula” — Tony Bellotto, cabeça de dinossauro.
Viva, pois, a dita esquerda democrática, enriquecida pela proximidade com empreiteiras generosas, banqueiros obsequiosos, um Judiciário camarada e uma classe artística disposta a qualquer concessão em troca da tal relevância oficial. Confesso que jamais imaginei que quando Tony cantava “comida é pasto” se referia, afinal, ao próprio almoço.
Pagamos, também, tributo ao deputado federal Glauber Braga do PSOL, cuja conduta ilustra como as convicções ideológicas sofrem uma rápida evolução ao se trocar o conforto do carpete da casa da avó pelo asfalto frio (ou quente) das ruas. O parlamentar, historicamente empenhado na desmilitarização das forças policiais, livrou-se de seu casulo de revolucionário de DCE e transmutou-se subitamente numa belíssima borboleta proto-fascista ao ser interpelado por um cidadão no meio da rua.
“Autoridade policial, por favor! Sou o deputado federal Glauber Braga. Estou sendo atacado por esse rapaz” — Glauber Braga, otôridade.
Recomenda-se, todavia, moderação ao deputado, para que não acabe por bradar que o lugar de criminosos é na prisão, sob o risco de ser tachado (com “ch” pois taxar com “x” é prerrogativa exclusiva do Taxxad) como um reacionário bolsonarista pelos seus próprios correligionários.
Já Michel Temer, ex-presidiário e ex-vice de Dilma Rousseff (nota: desgraça pouca é babagem), que teve que beijar muito sapo barbudo até finalmente abocanhar um peleleco e encontrar um príncipe para chamar de seu, revelou detalhes do bromance tórrido que vive com o sugar daddy Daniel Vorcaro.
“Ele é uma figura muito doce” — Michel Temer, morango do amor.
O histórico de Temer sugere que a sua propensão para adocicar relações com o setor financeiro exige cuidados médicos, uma vez que o excesso de glicose costuma resultar em graves indigestões para o erário público. Espera-se que o veterano estadista não contraia diabetes decorrente de lambuzar-se com tamanha doçura.
O ponto culminante inferior da semana, porém, pertence ao atual camisa treze do nosso escroque canalhinho, o meliante Luiz Inácio Lula da Silva. No decurso de um showmício de pré-campanha — cuja legalidade é de atribuição personalíssima do Poder Executivo (atual), diz o TSE —, o painho dirigiu aos seus críticos um gesto obsceno de inequívoco teor digital.
“Aqui pra eles” — Lula, estadista.
O incidente suscita um complexo debate nos domínios da geometria política e da anatomia veterinária. Dada a conhecida ausência de um dos dígitos da mão de Lula, surge a seguinte questão aritmética: quando o elemento possui apenas quatro dedos, teria ele dois dedos do meio? Seria essa a razão pela qual ele não economiza na hora de mandar o povo para aquele lugar? A calorosa ovação com que o público acolheu o gesto comprova que a vulgaridade institucional se converteu no principal programa social do Governo, demonstrando que há sempre quem aprecie a degradação do decoro quando executada de forma oficiosa.


