Frases da Semana - I
As frases que abalaram o Brasil (e o mundo) nesta semana...
Não deixem de ler as Frases da Semana, na íntegra, no site da Gazeta do Povo. E, logo abaixo, a versão em vídeo apresentada pelo dileto, distinto e donairoso Paulo Polzonoff Jr.:
Nesta semana, o campeonato brasileiro de boçalidades entrou na sua fase mais aguda, com os nossos craques e ‘cracas’ desfilando talento na arte da gafe-moleque e aplicando dribles desconcertantes no bom senso e decoro nacionais. Já é grande a preocupação entre os cartolas da FIFA de que nem o mata-mata da Copa do Mundo — que (supostamente) corre solta no Hemisfério Norte — conseguirá produzir cadáveres em quantidade ou qualidade suficientes para rivalizar com a chacina moral que aflige a nossa grande Candelária.
Abrindo as festividades do nosso velório antecipado, chega com desenvoltura anfíbia o ministro do STF e rei dos camarotes lisboetas, Gilmar Mendes. Esta semana, o decano do pretório excelso ficou furibundo (ou furicloaco, em respeito à sua anatomia batráquia) com a manutenção da prisão do pai do banqueiro peleleco Daniel Vorcaro e decidiu escancarar a bocarra. Fora dos autos, como manda o vale-tudo processual, resolveu dar um pito público no colega André Mendonça, que ousou rejeitar uma delação premiada por considerá-la seletiva demais:
“Aqui já há uma impropriedade, porque a lei não permite que o juiz participe da delação” — Gilmar Mendes, rei do camarote.
À coluna, juristas dos campos mais variados — do pré-diluviano ao pós-arrebatista — elogiaram a intervenção do sinistro. Afinal, uma delação de elite não se trata sem o devido salamaleque. A liturgia do conchavo exige respeito e etapas rigorosas. Primeiro, o réu deve adquirir um ingresso VIP para o Gilmarpalooza. Em seguida, patrocina um banquete regado a lagosta em Nova York. Na sequência, reúne a patota para degustar um uísque dezoito anos nos salões de Londres. Cumpridas as devidas exigências, o interessado estará finalmente habilitado a negociar o habeas corpus. Qualquer trâmite que ignore esta etiqueta configura flagrante impropriedade.
Um governo isento de impropriedades é o que promete o deputado-mirim Kim Kataguiri. O decano do MBL surpreendeu o estamento político global ao anunciar que aceitou o convite para assumir a pasta de Ministro da Reforma do Estado, num eventual e imaginário governo do candidato nanico Renan Santos.
“É com muito orgulho que eu sou anunciado hoje como o primeiro membro da equipe ministerial do governo Renan Santos” — Kim Karaguiri, ministro do Faz-de-Conta.
Os desenxabidos mais assoberbados logo se espantaram com a ousadia alegre com que o movimento liberal já tratou de inventar um novo ministério sem antes sequer chegar ao poder. Porém, a coluna parabeniza a iniciativa como a aplicação mais pura da teoria do Estado Mínimo: um Estado tão enxuto que nem o próprio governo existe dentro dele. Onze entre dez economistas ouvidos por este colunista ressaltaram que, sob a administração de Renan Santos, o rombo fiscal será puramente psicológico, a inflação eminentemente virtual e a corrupção 100% teórica. A aguardada posse se dará mediante publicação no Diário Oficial de Nárnia, prevista para o próximo dia 31 de junho.
Ainda no terreno das criaturas pitorescas que habitam o mundo da imaginação, surge a nossa primeira-cumpanheira que, travestida de Princesa Véia — a prima mais anciã e batalhada da Princesa Leia —, atende pelo nome de Janja Lula da Silva. Esta semana, a faraona convocou a militância para se juntar ao lado afrodescendente da força e espalhar propaganda governista nas redes sociais:
“Vamos ser ‘jedis’, espalhar a nossa força e ser a voz do presidente Lula” — Janja Lula da Silva, a Princesa Véia.
Arriscando incorrer na terrível gafe de cometer uma justiça, há que se notar que defender as realizações do desgoverno utilizando apenas dados da realidade factual tornou-se uma tarefa impossível. Só restou aos asseclas apelarem aos recursos fantásticos da ficção científica. A iniciativa, inclusive, já conta com apoios robustos na Esplanada: consta que Marina Silva foi escalada para fazer cosplay de Mestre Yoda e Flávio Dino vai despir-se da toga — e do último fiapo de decoro que lhe cobre as vergonhas — para encarnar Jabba, the Hutt. Que a Força esteja com a base aliada e a forca, com a oposição.
No jornalismo desesportivo, a consagração de Lionel Messi como o maior artilheiro da história das Copas do Mundo deixou os nossos lacronistas em parafuso. Sempre antenados com as últimas novidades do atraso, a turma trancou-se no quartinho do Projac e, após misturar alhos, bugalhos, com os futebóis feminino e masculino, anunciou a fórmula capaz de relativizar a marca do craque argentino:
“É um registro histórico que precisava ser feito. O Messi agora passou os caras e a Marta também. É o maior artilheiro das copas” — Bruno (QI de) Formiga, lacrador esportivo.
E, com isso, é gol da Alemanha! Pela lógica brilhante do amigo QI de Formiga, se somarmos masculino, feminino, sub-17, futebol de botão e pelada de casados contra solteiros, a Alemanha já ultrapassou o Brasil e é a primeira seleção hexacampeã do planeta! Messi que se cuide: para alcançar o recorde histórico de 257 gols na Copa de PlayStation 2, que pertence ao próprio Formiga, o argentino terá de comer muito arroz com feijão.
Quem nem pensa em pendurar as chuteiras é o artilheiro do escroque canalhinho, o nosso falso nove (e autêntico Nine) Luiz Inácio, que segue em sua legalíssima pré-campanha ilegal. Um Lula debochado, sacripanta e bonachão demonstrou fôlego de garoto ao bater boca com um menino que se declarou fã de Neymar. E mandou uma piada de deixar o Cazalbé orgulhoso:
“O Neymar é o primeiro convocado home office do mundo” — Lula, falso nove.
Até que a tirada foi bem bolada. Lula não contava uma piada tão engraçada desde aquela da picanha com cervejinha. Mas sejamos justos: de trabalho remoto Sua Excelência entende como ninguém. Muito antes de o home office virar moda na pandemia, o mandatário já despachava em regime remoto diretamente da carceragem da PF em Curitiba. Tomou tanto gosto pelo método que hoje só governa assim: um dia no Planalto, outro no showmício e o resto do ano viajando pelo mundo ao lado da Esbanja.
No Senado Federal, o presidente da Casa e barão da pisadinha na bola, Davi Alcolumbre, quase desabou em prantos ao manifestar a sua “solidariedade integral” ao colega petista Jaques Wagner, atualmente atolado até o colarinho branco no escândalo do Banco Master:
“Tá muito difícil o que a humanidade está vivendo. Era pra gente exaltar o amor, o respeito, o carinho... Nós estamos exaltando o ódio, a raiva e a agressão contra aqueles que a gente nem sabe o que fez” — Davi Alcolumbre, barão da pisadinha na bola.
A coluna junta-se ao clamor: digam não à corruptofobia! O político sem-vergonha também é gente. Ele não tem culpa de ter nascido com a mão leve e o bolso fundo. Se ele se identifica hoje como um cidadão probo, a sociedade tem a obrigação moral de acolhê-lo como tal. Afinal de contas, trinta milhões de dólares podem comprar muitas coisas — incluindo muitas horas de puro compliance, sempre adulto e consensual, com a mulher do ministro —, mas não compram o amor sincero do povo. No máximo, garantem o aluguel até a próxima eleição.
E, além do Messi, quem também marcou um hat-trick essa semana foi o Pelé da mentira, Lula da Silva. Não contente em atacar apenas o trabalho remoto, Lula se mostrou empenhado em erradicar todo tipo de trabalho, começando pelo doméstico:
“O mundo só vai melhorar quando não tiver mais empregada doméstica. Cada um cuida da sua sujeira” — Lula, sujo e mal-lavado.
Diante de tão revolucionária proclamação, resta apenas uma dúvida: companheiro, quando é que você e a Esbanja vão dar o exemplo, dispensando o batalhão de serviçais do Palácio da Alvorada? Até porque, na sua longa trajetória pública, a única sujeira que Lula fez questão de limpar — e com a generosa ajuda de terceiros — foi a da sua própria ficha corrida.


